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sábado, 16 de janeiro de 2010

O IMPÉRIO CONTRA ATACA

Ainda não aderi ao acordo ortográfico e tão cedo não acharei que é óptimo escrever húmido sem "agá" por entre outras inovações deste quilate.
Continuarei a escrever como aprendi porque já será tarde para reaprender a escrever - dizem que burro velho não aprende...
Não sou contra a ideia de simplificação que está inerente no acordo, mas tenho em muito boa conta a etimologia da minha língua, para deixar cair uns "cês", "pês" ou "agás" mudos que sempre dão um ar catita à mesma.
Irei continuar a pronunciar o 'c' em pacto, em facto, tal como irei continuar a dizer rapto.
E um pato, um fato e um rato irão continuar a ser para mim o que sempre foram.
Mas eu sou um gajo que não percebe nada da língua que usa e menos ainda de linguística. Sou um leigo, daqueles bem leigos, whatever that means...

Sinto que ressalvando os conhecedores da língua, donde se destaca logo à partida Vasco Graça Moura, a maioria dos opositores do acordo (e basta ir ao facebook para ver que não são assim tão poucos) é contra apenas e tão só por nacionalismo bacoco.
Há um principio de superioridade portuguesa sobre todos os outros falantes da língua que me repugna (e não escrevi repugna-me, exactamente para irritar suas senhorias).
A língua não é um património nosso. Não fomos nós que a inventamos, foram os nossos antepassados que também são em larga maioria os antepassados dos brasileiros.
Não gosto da ideia da minha língua ser um campo de lide de xenofobias idiotas e gosto ainda menos da ideia de um neo-colonialismo línguistico.
Salazar está morto e enterrado (Getúlio Vargas também), Fernando Pessoa que sempre se recusou a escrever Farmácia sem o seu tão amado Ph continua a dizer tanto a nós como diz a um Goense ou a um Cabo Verdiano, e tem no Brasil o país do mundo com o maior número de pessoanos.

Olhemos para esta situação com outros olhos: conhecem alguma ex-metrópole imperial que adapte a sua ortografia à ortografia de uma ex-colónia do Império? Os ingleses jamais e o Brasil deles é bem maior que o nosso; os Espanhóis até se sentem mal com sotaques dentro da Península quanto mais cederem algo aos argentinos e mexicanos. Quanto aos franceses suponho que preferiam deitar a Torre Eiffel abaixo antes de mudarem um acento que seja na sua língua por causa do Senegal.

Seremos nós os primeiros e por certo não os últimos, o Império algum dia iria morder-nos a mão, estava na cara...

Resta-nos a consolação de que não é para qualquer um e de que é preciso tê-los bem no sítio, para assumir assim perante o mundo, que não somos os maiores dentro da comunidade que fala a nossa língua.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

LUSOBRASILEIRICES - MATRAQUILHOS VERSUS PIMBOLIM

Dunga diz que Portugal é o Brasil B, Queirós responde que o jogo será entre Portugal B e o Brasil C,D ou E; portugueses e brasileiros, ou zucas e tugas conforme as modas desatam a trocar ameaças pouco desportivas em tudo o que fórum ou site na Internet.

Maitê Proença mostra que afinal as anedotas sobre loiras até fazem sentido e cospe nos Jerónimos, os portugueses ficam piores que perus maus e Aqui D'El Rey que a pátria corre perigo e toca a falar que os brasileiros são isto e os brasileiros são aquilo...

Alto e pára o baile! Então quando o humor é a humilhar os norte-americanos ou o Cazaquistão a coisa até tem piada, mas quando a piada é Portugal já não é assim uma coisa com tanta graça?
Então a terrinha não pode ser gozada, mesmo quando mal gozada? E a burra é a Maitê Proença?

Quem me dera que a Maitê Proença queira ir tomar um café comigo quando vier cá à terrinha, e quem me dera que a gente ganhe 3-1 ao Brasil no mundial com golos de Deco, Liedson e Pepe e já agora que o golo deles seja um autogolo do CR9 que por estes dias já é mais castelhano que o Paco Fortes.
Amigos, amigos, negócios à parte...

A verdade é que quem dera a Portugal ser um quinto do país que o Brasil é. Venha quem vier, doa a quem doer. Eles são mais de meio continente, caminham a passos largos para serem 200 milhões, organizam mundiais e olimpíadas, têm diamantes, petróleo, ouro, o maior pulmão do planeta e as maiores reservas de água doce de todo o mundo.
São a 5ª maior economia , têm um Presidente que até o Obama admira, praias fantásticas, um clima abençoado, comida boa, jogam à bola como mais ninguém e têm uma fonte inesgotável de mulheres lindas...

Resta-nos a consolação de que no fim das contas o Brasil há-de ser sempre um imenso Portugal.