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quarta-feira, 3 de março de 2010

O QUE SABIA EU SOBRE SALÓNICA?



(Capa da versão inglesa do Livro. A versão portuguesa é da editora Pedra da Lua)


Sabia que Salónica era uma cidade do norte da Grécia, banhada pelo Egeu, que ficava perto da Bulgária e não muito longe da Turquia e da Macedónia.
Sabia que era a segunda cidade do país, que tinha sido fundada por Filipe II - pai de Alexandre o Grande - com o nome de Tessalónica, celebrando a vitória (nike) dos macedónios sobre os tessálios.
Sabia que São Paulo tinha passado por lá e deixado para a posteridade as duas famosas epístolas aos tessalonicenses.
Já tinha ouvido falar da baía e tinha visto imagens da famosa Torre Branca.
Sabia que tinha sido um dos principais portos de refugio dos judeus portugueses e espanhóis aquando da expulsão destes da Península Ibérica. Sabia também que a cidade tinha pertencido ao Império Otomano e inclusive tinha lido recentemente que Mustafa Kemal Atatürk tinha nascido na cidade durante o domínio da Sublime Porta.
Sabia ainda que em Salónica existem dois clubes famosos na Grécia: o PAOK e o Aris.

Mas além de saber umas coisas, achava...
Achava por exemplo que Salónica seria uma cidade mais fria por ficar no Norte do país, o que vendo bem as coisas é no mínimo uma brilhante lapalissada. Mas não ficava por aqui, achava também que seria uma cidade muito mais pequena do que Atenas (assim como o Porto está para Lisboa), e que seria pouco mediterrânica e pouco grega em comparação com o meu lugar comum do que é ser grego.

Mas depois um dia li o Pacheco Pereira a falar bem de um livro no Abrupto e fiquei intrigado. Mas isso foi em Maio de 2007 e rapidamente esqueci-me de tal crítica.
Em 2008 fui à Grécia e juro pelas mais sagradas alminhas, por Zeus e pelo Minotauro que nunca em momento algum lembrei-me de Salónica. Continuei portanto ignaro relativamente à segunda maior cidade do país que nos demoliu o sonho em 2004, mesmo quando nesse ano de 2008 numa sexta-feira que agora não recordo, tenha lido isto nas páginas do Ípsilon.
A verdade é que Salónica continuou a passar-me ao lado...

Até que...
O Ano era 2009, o Natal aproximava-se e eu tinha que escolher um livro para a minha irmã comprar-me como presente para eu poder desembrulha-lo com ar surpreendido na noite de consoada depois de já ter comido meio bacalhau e dois polvos...
Fui para a Bertrand e desci para a secção de história (o amor primeiro é sempre o amor verdadeiro) e reencontrei Salónica. Não há duas sem três e à terceira foi de vez, quando finalmente desfolhei aquelas folhas percebi que tinha encontrado um achado. Resolvi esconder o exemplar único atrás de um livro sobre a história do Japão e escrevi num papel:
Salónica, cidade de fantasmas - cristãos, muçulmanos e judeus de 1430 a 1950. Mark Mazower; entreguei o papel à minha irmã quando ela perguntou o que eu queria de presente de natal (impagável o olhar dela ao ler o título do livro - têm de experimentar com os vossos familiares!) e esperei pela noite de 24 de Dezembro.
O resto são muitas leituras desconexas, com saltos da página 50 para a 325 e de volta para trás. Não terei lido ainda o livro todo, mas já reli alguns capítulos 3 vezes.
Não vou aqui criticar o livro que o JPP e o Ípsilon são bem melhores que eu nessa matéria, mas aconselho vivamente a quem gosta de história e a quem gosta de guias de viagens a desfolhar este livro.
Conheço muito bem uma cidade que já não existe, Das Incantadas (com quem cruzei-me recentemente no Louvre) à já supracitada Torre Branca, passando pela Hagios Demetrios, Salónica é um bolo de infinitas camadas... dos macedónios antigos, passando pelos romanos, inscrita na Bíblia, ocupada pelos bizantinos e otomanos, porto de abrigo de refugiados judeus, com os seus minaretes e as suas inúmeras mesquitas, Salónica cresceu até ao século XX e a inclusão na Grécia Moderna como uma cidade universal, até que a Grécia através de um processo acelerado de helenização nacionalizou a mesma.
Seguiu-se a ocupação alemã e o extermínio de grande parte da população judaica da cidade em Auschwitz, e Salónica que tinha sido a cidade com a maior percentagem de habitantes judeus do mundo (nem Jerusalém ou Nova Iorque se aproximavam) tornou-se ainda mais grega, mais europeia.
O que é fantástico quando fechamos a última página é noção que temos de que Salónica tem tanto para nos contar e que nós não saberíamos nada disso se Mazower não tivesse tido a bondade de o partilhar connosco.
Com o seu relato detalhado e exaustivo, deliciosamente escrito que flui como uma grande história - como um romance intemporal com heróis, vilões, mulheres sedutoras, amores platónicos, partilha e amizade, mas também a mais vis naturezas humanas, Mazower leva-nos a viajar no espaço e no tempo. É um guia que nos leva por ruas que já não existem, a espreitar fontes que já não brotam água. Um passeio por ruelas com arcos e janelas diminutas de onde ecoam falares distantes.
Muralhas com pedras soltas, sombras ao lado de frondosos ciprestes, vagas a rebentarem no mais ecuménico porto de todo o Mediterrâneo oriental.
A Rosa do Sultão Murad - que conquistou a cidade aos bizantinos- perfumou o mundo até à alvorada do século XX, mas em menos de 50 anos foram quase erradicados 500 anos de história, o mérito de Mazower é fazer justiça a esse passado e a todos que fizeram de Salónica o que ela foi, porque o que ela é, estou certo que nenhum desses antepassados iria agora reconhecer.

Agora sim podem dizer-me que é que adianta saber muito sobre a história de algo que já não existe? E eu respondo que pobres daqueles que não sabem que o verdadeiro prazer da cultura é saber coisas que serão sempre mais inúteis do que saber abrir uma lata de sardinhas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

LAPIDAR

«This then, I thought, is the representation of history. It requires a falsification of perspective. We, the survivors, see everything from above, see everything at once, and still we do not know how it was.»

(W. G. Sebald, The Rings of Saturn)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

UMA TRISTEZA DE CREPÚSCULO...

"Uma tristeza de crepúsculo, feita de cansaços e de renúncias falsas, um tédio de sentir qualquer coisa, uma dor como de um soluço parado ou de uma verdade obtida. Desenrola-se-me na alma desatenta esta paisagem de abdicações - áleas de gestos abandonados, canteiros altos de sonhos nem sequer bem sonhados, inconsequências, como muros de buxo dividindo caminhos vazios, suposições, como velhos tanques sem repuxo vivo, tudo se emaranha e se visualiza pobre no desalinho triste das minhas sensações confusas."

(Bernardo Soares, in Livro do Desassossego)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

2009 DIZ ADEUS

2009 em nove escolhas. Três livros que li, três álbuns que ouvi, três filmes que vi.
Se não leram, ouviram e viram, aproveitem e tornem 2010 um ano melhor.


3 Livros:

Ofício Cantante - Herberto Helder
Caderno Afegão - Alexandra Lucas Coelho
2666 - Roberto Bolaño


3 álbuns:

Merryweather Post Pavilion - Animal Collective
Nobel Beast - Andrew Bird
Keep It Hid - Dan Auerbach


3 filmes:

Gran Torino, de Clint Eastwood
Milk, de Gus Van Sant
A Turma (Entres les Murs), de Laurent Cantet

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CONVERSÃO PELA LEITURA

Palomar, ou como estou cada vez mais calvinista.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

SE NUMA NOITE DE INVERNO


"Às vezes penso na matéria para o livro a escrever como coisa que já existe: pensamentos já pensados, diálogos já pronunciados, histórias já acontecidas, lugares e ambientes já vistos; o livro não devia ser senão o equivalente do mundo não escrito traduzido em escrita. Mas outras vezes julgo compreender que entre o livro a escrever e as coisas que já existem só pode haver uma espécie de complementaridade: o livro devia ser a parte escrita do mundo não escrito; a sua matéria devia ser o que não existe nem poderá existir senão quando for escrito, mas cujo vazio o que existe sente obscuramente na sua imperfeição."


Italo Calvino in Se Numa Noite de Inverno Um Viajante

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

IVANHOE


Ilustração de J. Cooper para uma das primeiras versões do clássico de Sir Walter Scott

quinta-feira, 14 de maio de 2009

DE PROFUNDIS


Durante estes dias de ausência voltei a ler o De Profundis de Oscar Wilde. Tal e qual como quando o li pela primeira vez algures entre 1999 e 2000 continua a tocar-me com a sua tristeza e melancolia.
Dez anos depois continuo a acha-lo profundamente triste na forma como Wilde demonstra a descrença que naquele momento sentia pelo mundo e a sociedade que o rodeava.
É contudo uma tristeza serena, sem sombra de contestação. Há como que uma aceitação de um desingnio que emana das palavras do autor.

mas apesar de toda esta melaconlia e tristeza, o De Profundis não deixa de ser um manifesto onde Wilde em momento algum hesita em demonstrar o amor que tem pela vida e por aqueles que tanto ama ou amou, inclusive fazendo questão de lembrar que a felicidade existe, que ele já a viveu, e que pode ainda voltar a vive-la.

No De Profundis não há a maravilhosa literatura de Wilde dos contos e das peças, não há mais do que alguns lampejos do brilhante escritor que aqui se despe de toda a sua pomposidade para assumir uma sinceridade comovente, que transforma esta carta de amor no escrito mais intimo que se conhece do autor irlandês.

É nesta carta cheia de saudade, de arrependimento, de culpa, onde o autor não tenta esconder a sua fraqueza e o seu sofrimento, que Wilde deixa o seu charme literário de lado - mas não a sua intelectualidade e cultura literária- e limpa o seu discurso de qualquer máscara.

É uma carta de amor, e se bem que Pessoa nos tenha alertado sobre o tema, aqui Wilde não quer encantar, não quer ser alvo de pena, por certo não esperava que tantos algum dia lessem, e acima de tudo, em momento algum, escreve de forma ridícula.

É uma carta de amor, repito. Um desabafo sincero (maravilhoso!), onde um homem genial confessa de que mais do que estar cansado do mundo, está irremediavelmente cansado de esperar que o mundo possa ser o que ele gostaria que fosse.

"Suffering is one very long moment. We cannot divide it by seasons. We can only record its moods, and chronicle their return. With us time itself does not progress. It revolves. It seems to circle round one centre of pain. The paralysing immobility of a life every circumstance of which is regulated after an unchangeable pattern, so that we eat and drink and lie down and pray, or kneel at least for prayer, according to the inflexible laws of an iron formula: this immobile quality, that makes each dreadful day in the very minutest detail like its brother, seems to communicate itself to those external forces the very essence of whose existence is ceaseless change. Of seed-time or harvest, of the reapers bending over the corn, or the grape gatherers threading through the vines, of the grass in the orchard made white with broken blossoms or strewn with fallen fruit: of these we know nothing and can know nothing.
"


Oscar Wilde in "De Profundis"

quinta-feira, 30 de abril de 2009

LE PETIT PRINCE


Disclaimer: Quem gostou de ler "O Principezinho" por favor não passe deste parágrafo.

O aviso está feito, obrigado.



Quando era miúdo li o Principezinho e além de não ter compreendido muito bem o alcance da história, achei que era um livro assim meio chato, desinteressante, se bem que nesses tempos por certo não adjectivasse as coisas desta forma.

Os anos passaram e à minha volta acumulavam-se os elogios à obra de Saint-Exupéry, o que eu não compreendia muito bem, mas que ia relevando, tendo em conta que tinha lido o livro em tenra idade e que na altura nem sequer o tinha entendido lá muito bem.

Em 2007, por motivos profissionais passei a lidar diariamente com literatura infantil, e a história do pequeno príncipe revelou-se para minha surpresa ser um verdadeiro best-seller imune a qualquer crise ou a passagem do tempo.

Intrigado com tanta alusão ao livro, além de tantos exemplos de manifesta devoção pelo seu conteúdo que diariamente ia conhecendo, resolvi ir reler a obra, convencido que estava, que o meu desinteresse pela Majestade da literatura infantil se devia a um misto de má-vontade com um desconhecimento que só se pode condenar em alguém que se acha versado em termos literários.

...

Li o livro e só me apetecia bater com ele na cabeça. Como é que voltei a perder tempo com aquela chachada?

Os primeiros instintos por norma estão certos. Um dia hei-de teorizar aqui sobre essa matéria, defendendo que a alta percentagem de decisões correctas que se tomam por instinto é talvez uma das mais importantes armas que a evolução legou não só a nossa como as outras espécies.

Aos 8/9 anos equipado que estava com esse instinto certeiro, era óbvio que já tinha o discernimento necessário para saber que o principezito comparado com outros livros que já lera até então era uma valente seca, como além do mais, já tinha solidificado suficientemente o bom gosto para poder considerar a história do principezinho como sendo absurda e profundamente idiota, não obstante ainda me deliciar com desenhos animados de gosto duvidoso como a Candy Candy.

Hoje, passados todos estes anos, e uma segunda leitura, não tenho muito mais a acrescentar.
Apenas gostaria de apresentar um pedido desculpa ao Charles Darwin por ter tentado contrariar o meu instinto primário, e um enorme, gigantesco pedido de desculpas ao Pedro que tinha 8/9 por não ter levado a sério o que ele tinha dito, e por ter posto em causa o seu discernimento.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE FOUR



Continua a viagem por mais uma aparente zona de poesia. Pouco tenho a destacar além de um maço de poesia maldita e de um relógio sem pilha que se encontram na vizinhança duma ou doutra antologia, e na companhia de mais alguns dos nomes maiores da minha estante: Camões, Auden, Neruda, Herberto, Sá-Carneiro, Pessoa...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE THREE


Não há muita decoração para falar, um komboloi com o qual simplesmente não me entendo e uns headphones (não visiveis na imagem) de um telemóvel que já não tenho.
Resta falar da desarrumação temática, pois ela aqui ganha nova cor. Mistura-se Pamuk com Mexia, livros que saem com o Público com Hobbes. E a história começa a marcar pontos para este lado da estante...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE DOIS E MEIO

Aqui não é bem a estante, é mais a parte de cima do guarda-fatos. Entre as obras em destaque podemos encontrar uma cassete de VHS com resumos de golos do Campeonato do Mundo Itália 90, uma televisão Sanyo do tempo em que ainda não se falava em polegadas e o belíssimo e carismático Coelho Péricles.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SEEBALD

Já aqui falei numa outra encarnação de um dos meus autores de eleição: W.G. Seebald (não vos revelo o significado das iniciais que é para isso que serve a wikipedia).
Agora volto a este autor que o mundo injustamente desconhece o quão grande é, porque encontrei aqui e aqui dois belíssimos posts num blogue que é um achado e que vos convido a visitar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE TWO


Aqui chegamos ao que aparenta ser a zona da Poesia. Mas não se iludam, que não há organização alguma.

domingo, 29 de março de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE ONE


Entre os artefactos que "abonecam" a estante como disse a mulher-a-dias está um mini vaso minóico num belíssimo pvc made in China - que eu cá não quero imitações de países sem tradição na arte da falsificação de souvernires - e ainda uma imitação de um arco romano também ele em pvc oriental que me trouxeram da Cróacia.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A ESTRADA


Vou começar a ler e depois digo coisas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

FACTOS

"Let’s do facts. Here are the facts. Your friend here fucks you, right? Your friend’s friend knows he fucks you, so he comes to your friend. And he tells your friend a story, which your friend repeats to you because he’s fucking you. You are rightly incensed by this story, so you bring your friend who is fucking you to me, so that he can tell it all over again, which is what your friend’s friend reckoned would happen all along. We call that disinformation."

John Le Carré in The Mission Song

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

É SEGUNDA-FEIRA NÃO TENHO MUITO PARA DIZER

Continuo a sentir-me un petit peu endrominado por ter comprado a "Faca não corta o fogo" a pensar que tinha um dos 3000 históricos exemplares e que se calhar até ia conhecer umas gajas (das que são giras e intelectuais ao mesmo tempo) à custa disso.

Mas apesar desses pensamentos (continua a sonhar rapaz!) e do sentimento de endrominação sofrida, a verdade é que não resisti e comprei hoje o "Ofício Cantante".
Endrominações à parte, achei que os 33 anos merecem que eu dê uma prenda como deve ser a minha ilustre pessoa.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

YAY!!!! OU FINALMENTE ANDO A LER


Chegou a fumegar de Inglaterra... bendita amazon.com