Pensei que já tinha visto muito, mas confesso que nunca tinha visto uma mulher a cortar o cabelo no barbeiro. Foi uma experiência sui generis. Uma mulher, uma só mulher calou a prosápia masculina e reinou como só uma Senhora sabe reinar.
Nem um ai, nem um ui. O Benfica foi Rei e Senhor da barbearia, para mal dos meus verdes pecados e de uma plateia que chegou a ser envergonhadamente azul-e-branca.
Só quem nunca cortou o cabelo numa barbearia da baixa do Porto é que não pode entender o quão histórico é um "Viva ao Benfica!" não sofrer contestação.
E o mais giro naquela história toda, é que ela percebia. Do malfadado losango do Paulo Bento à insistência de Jesualdo apostar em Mariano González, passando pelo Quique que ela defendia com unhas e dentes, a mulher sabia do que estava a falar.
Falava de tal forma que deu uma explicação cabal de overlapping a uma assistência para quem o conceito de fora de jogo em linha já é algo de muito elaborado.
Espero que da próxima vez que for lá cortar o cabelo, ou fazer a barba, ela esteja presente para eu poder tirar umas notas para utilizar no Football Manager, e quiçá para ouvir uma explicação do que é um movimento de basculação, capaz de fazer corar muito comentador televisivo que eu infelizmente conheço.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
E COMO VIVIAM AS MULHERES NA GRÉCIA ANTIGA?

"Para o prazer temos as cortesãs; para a saúde do corpo, as concubinas; e temos as mulheres para nos darem filhos legítimos e serem guardas fiéis das nossas casas."
Demóstenes
Nos tempos de Homero, fazendo jus à Ilíada, a mulher ou se comprava ou se raptava. Casar por amor? Sim, claro, mas infelizmente ainda não tinha sido inventada a belíssima localidade de Hollywood, portanto casemos por interesse, e com valioso dote, pois o amor naqueles tempos não era ainda chamado para as núpcias.
Custa a crer, é verdade, mas fazendo fé na saga homérica a Grécia inteira deixou-se arrastar numa guerra interminável, só porque Paris roubou Helena ao seu legítimo esposo, o Rei Menelau de Esparta.
Por uma mulher o mundo inteiro entrou em guerra, Reinos inteiros foram votados ao abandono pelos seus reis e homens, os Deuses conspiraram e heróis lutaram e outros pereceram apenas por causa de uma mulher.
Em sua defesa devemos dizer que Helena era considera a mulher mais bela do mundo e que por ela uniu-se a Grécia inteira, coisa que não aconteceria nem aquando da ameaça persa durante as Guerras Médias, muitos anos depois da história de Tróia.
Seja como for, Helena é sinónimo de beleza e de perdição. A ela está associada a lenda do Pomo da discórdia e ainda uma guerra lendária que nos deu a Ilíada, a Odisseia, e ainda por paredes travessas a Eneida.
Mas olhando a mulher grega, saltemos para a época de Péricles e da Democracia Ateniense, onde perdido o interesse pelo dote e pelas guerras causadas por uma mulher, tornou-se o matrimónio uma solução aprazível e obrigatória por lei.
Dentro deste matrimónio, nunca é demais lembrar que os direitos não eram propriamente iguais, convém não esquecer, que ainda vinha longe a subtileza legislativa romana que viria a permitir conceitos elaborados como o da fragilidade feminina (fragilitas).
O direito grego não fez história, mas não se pense que não existiam leis, que as havia.
Eram essas mesmas leis que consagravam o direito ao homem de ter uma concubina mas puniam com a morte a mulher adúltera.
Eram também as mesmas leis que diziam que a mulher podia requerer o divórcio, mas apenas o homem o podia conceder. Já por seu lado, a lei era clara quando explicitava que ao homem bastava apenas a vontade, estando isento do consentimento da mulher para obter um rápido divórcio.
Ao contrário de Atenas em Esparta nem sequer existia o problema do adultério, pois os homens podiam permutar de comum acordo as mulheres entre si. Enquanto os homens mais velhos para terem filhos saudáveis e úteis, concediam as suas esposas a estrangeiros e jovens, mesmo que estes não gozassem dos direitos de cidadania.
Era ideia corrente no tempo, que enamorar-se por uma mulher significava loucura, enquanto o amor entre homens era sinal de sabedoria, o que revela bem o triste papel a que se via confinada a mulher nesses distantes tempos.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
A MULHER NA ALVORADA DO PRIMEIRO MILÉNIO
"Se pensares naquilo que te sai da boca, das narinas, de todo o teu interior, hás-de concordar que não há nenhuma estrumeira mais repelente do que o corpo humano."
Assim escrevia São Bernardo a um amigo tentando alerta-lo para os perigos da carne.
Olhar o corpo como a encarnação do pecado e da tentação, e em especial olhar o corpo da mulher e a sua carne como raiz de todos os males, foi o modus operandis usado sistematicamente pela Igreja desde que Constantino tornou a Ecclesia como religião oficial do Império.
Foram séculos de culpa incutida nas mentes dos homens e mulheres de uma Europa culturalmente atrasada.
A mulher, acreditando na Bíblia, foi escolhida pelo próprio Deus para ser a culpada. Deu ouvidos à serpente, convenceu o Adão a dar a trinca na maçã. É Deus que o diz. Nenhum júri a absolvia.
A Eva é tão culpada que 99% da humanidade nem sonha que ela era já a segunda mulher de Adão.
E o que começou no Génesis do livro judaico, ganhou força quando a Igreja saiu das terras que viriam a ser santas e se mudou para a Caput Mundi, aka Roma.
Maria Madalena viu o seu papel ser seriamente revisto e revisitado (mas isso são contas de outro rosário), o pecado da carne foi instituído num remake famoso dos 10 Testamentos e a forma como a mulher foi vista na Idade Média acabaria por descambar na paranóia das bruxas, dos cultos satânicos, das orgias rituais, dos incubus e dos sucubus...
Olhando para trás já pensaram quantas mulheres arderam nas fogueiras da Europa só porque eram roliças e jeitosas, ou porque sorriram ao ouvir o piropo do gajo errado?
Saint Odin de cluny perguntou numa das suas meditações, como seria possível alguém que se recusa a tocar no esterco ou no pus de uma chaga pode desejar beijar uma mulher, que é (nas suas palavras) um saco de imundices.
Outros consideraram a mulher uma obra do diabo, e por falar nele onde é que foi parar a costela que Deus roubou a Adão?
Seja como for, a mulher na óptica destes senhores era a encarnação do mal, continuando a ser a desviadora do caminho correcto... em cada mulher há uma Eva disposta a desencaminhar o homem, pensava-se...
À luz das ideias da altura, chegava-se ao ponto de tolerar o sexo apenas para fins de procriação e claro que dentro da santidade do matrimónio. Mas mesmo assim, os esposos deviam "consumar o acto entre choros e lamentos" e já agora, não olhar na direcção de Jerusalém enquanto estivessem nesses reparos.
Depois disto tudo é curioso lembrar os lamentos do moralista São Pedro Damião quando estava às portas da morte:
"Ai de mim, coração miserável! Que não sabe entesourar as maravilhas das Escrituras, lidas centenas de vezes, e não consegue expulsar a recordação de um corpo de mulher, visto só uma vez!"
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