domingo, 5 de abril de 2009

HOGGART'S SERVANTS


Hoggart's Servants

William Hoggart
(c. 1750)

sábado, 4 de abril de 2009

THE BEAT(EN) GENERATION



The The - The Beat(en) Generation (1989)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ROMANCE SÓNAMBULO

A Gloria Giner y Fernando de los Ríos


Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.

Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde...?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.

Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando
desde los puertos de Cabra.

Si yo pudiera, mocito,
este trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.

Compadre, quiero morir
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿ No veis la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?

Trescientas rosas morenas
lleva tu pechera blanca.
Tu sangre rezuma y huele
alrededor de tu faja.
Pero yo ya no soy yo.
Ni mi casa es ya mi casa.

Dejadme subir al menos
hasta las altas barandas,
¡Dejadme subir!, dejadme
hasta las altas barandas.
Barandales de la luna
por donde retumba el agua.

Ya suben los dos compadres
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre.
Dejando un rastro de lágrimas.
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata.
Mil panderos de cristal,
herían la madrugada.

Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
Los dos compadres subieron.
El largo viento dejaba
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca.

¡Compadre! ¿Dónde está, dime?
¿Dónde está tu niña amarga?

¡Cuántas veces te esperó!
¡Cuántas veces te esperara,
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!

Sobre el rostro del aljibe,
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Un carámbano de luna
la sostiene sobre el agua.
La noche se puso íntima
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos
en la puerta golpeaban.

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.


* *


Federico García Lorca

KITTEN PIG



Pentaphobe - Kitten Pig (2008)

Esta descoberta foi-me apresentada pela minha fonte nº 1 de coisas giras e com bom gosto.
E como todos sabem não se revela a identidade de uma fonte.

OS PROBLEMAS DA JARDINAGEM QUANDO SE VIVE COM UMA TIA AVÓ

Tinha um sonho: acabar com a selva que tinha tomado conta do meu quintal. Tinha uma ideia: fazer um pouco de jardinagem e com isso acalmar o stress. Tinha um plano: começava por plantar umas flores de cheiro e ervas aromáticas no pátio que dá acesso ao quintal. Tinha um motivo: ter ervas em abundância e variedade para os meus cozinhados. Tinha um handicap: ser mais preguiçoso do que é suposto ser.

Fui comprando vasos. Primeiro salva, depois alecrim, seguiu-se um arbusto que ainda hoje não faço ideia do que seja. Depois chegaram o manjericão e os coentros.
Entrou então em cena a minha tia-avó. Num misto de quem quer ajudar com quem quer complicar, começou a regar as minhas plantas todos os dias. Rapidamente o manjericão deu de si.
A recém chegada salsa não aguentou as cheias com periodicidade diária.
Houve a primeira reunião sobrinho-neto-armado em jardineiro com a tia-avó-regadora compulsiva e os resultados foram satisfatórios e ambas as partes os consideraram conclusivos.
A partir desse momento a tia-avó passava a deter o monopólio da rega desde que o fizesse com parcimónia, já o sobrinho neto ficaria encarregado de retirar as folhas secas.
A paz prometia vingar e frutificar, ainda para mais a Primavera adivinhava-se...

Mas na prática o acordo revelou-se um desastre. E duas semanas depois a seca grassava nos vasos e a minha horta de cheiro corria perigo de sobrevivência.
Acusei frontalmente a outra parte de sabotagem e nesse dia ameacei nem sequer fazer o jantar.
Retomei a rédea da horta e durante uma semana as coisas pareciam estar bem encaminhadas...

To be continued

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE THREE


Não há muita decoração para falar, um komboloi com o qual simplesmente não me entendo e uns headphones (não visiveis na imagem) de um telemóvel que já não tenho.
Resta falar da desarrumação temática, pois ela aqui ganha nova cor. Mistura-se Pamuk com Mexia, livros que saem com o Público com Hobbes. E a história começa a marcar pontos para este lado da estante...

A ESTUPIDEZ

Hoje, mais do que uma opinião trago-vos uma teoria pessoal.
Pelo que me foi dado ver nos anos de vida que levo, não há característica humana mais nefasta que a estupidez, e é isso que vou tentar explicar aqui nas linhas que se seguem:

Um estúpido como todos sabem, não sabe medir o grau dos seus actos. Um estúpido é o pior amigo que se pode ter. Todos sabemos que o mais provável de acontecer é a estupidez do seu amigo contagia-lo a si e nunca o contrário, ser você a contagia-lo com alguma forma de não estupidez.

Um amigo estúpido levará os amigos não estúpidos, mais cedo ou mais tarde a cometer uma estupidez. Esta é a primeira lei fundamental que todo aquele que ache por bem travar amizade com um estúpido deve ter em mente.

A estupidez é uma coisa tramada. Quando somos surpreendidos numa esquina qualquer do dia-a-dia com a dita, nós próprios ficamos um pouco estúpidos e sem saber bem como agir.
"Ele deve estar estúpido!?"... "Como é que ele foi fazer uma coisa assim? Não consigo Entender!"
Essa é a verdade, a estupidez não só nos apanha de surpresa, como nos deixa estúpidos com o seu aparecimento.
Não é estúpido dizer que na presença de um acto estúpido o mais natural é ficar-se estúpido e não saber o que fazer.
Quantas vezes já nos consideramos estúpidos após sermos confrontados com uma estupidez ou um acto de uma pessoa estúpida?
Isso só revela o quão perigosa pode ser a estupidez.

É preocupante pensar neste poder da estupidez. Se nos lembrarmos de que quando somos alvo de um acto de maldade não ficamos possuídos por essa mesma maldade. Ou de quando somos alvo de um acto seja ele de inveja, de ciúme, ou outro qualquer, não ficamos subitamente invejosos, ciumentos....
E pode-se aplicar a mesma ideia à benevolência, à caridade... até a irritante antipatia não nos torna automaticamente antipáticos.
Então o que tem a estupidez? Que força motriz move esta qualidade do estúpido que nos leva a todos a assumir pelo menos uma vez na vida que nos sentimos estúpidos perante algo ou alguém estúpido?

Que há enormes diferenças entre "ser" e "estar" estúpido todos sabemos, agora que há diferentes graus de estupidez, distintas formas de ser estúpido nem todos reparam.

Olhando rapidamente para os estúpidos que se cruzaram comigo até hoje, sinto-me tentado a dividi-los em três categorias.
Uma primeira que denominaria de estúpido ocasional ou de ocasião, uma segunda que chamaria de estúpido per si e por fim a categoria estupidamente estúpido.
Começando pelos "ocasionais", incluiria nesta categoria todos aqueles que foram, são ou serão estúpidos num determinado momento da vida. Talvez fruto das circunstâncias, talvez contagiados por uma onda de estupidez ou um muito improvável estúpido encantador. Em suma não interessa a razão ou a desculpa, foram estúpidos num determinado momento que se pode datar e explicar. Não é grave, estejam descansados.
Aliás, inclui-se também neste grupo todo aquele que se sentiu estúpido aquando do ocorrido.

Passando à segunda categoria as coisas piam mais fino. Um estúpido per si já é todo ele uma coisa muito estúpida, e como tal cabem nesta categoria todos aqueles que de facto são estúpidos.
E quem são esses estúpidos? São aqueles que dizem coisas estúpidas sem sentido, que actuam de forma estúpida e que conseguem sempre surpreender os amigos com a mais recente estupidez. São na maioria dos casos ingenuamente estúpidos, mas por norma estão equipados com a capacidade de medir os resultados dos seus actos e perceber que cometeram uma estupidez. Digamos que não são suficientemente estúpidos para ficarem indiferentes as suas estupidezes, mas são suficientemente estúpidos para não conseguirem evitar de cometer mais uma estupidez.
Normalmente quando alertados ou confrontados por um amigo os estúpidos per si conseguem perceber o quanto foram (ou são) estúpidos.
Alguns contudo, devido a um maior grau de estupidez podem demorar bastante a perceber a dimensão da gravidade do que acabaram de fazer ou dizer. Mas é tudo uma questão de paciência, de se lhes fazer "um desenho", afinal de contas para que servem os amigos?
Mas como todos sabem, por mais desenhos, atenção e paciência que dediquem a um amigo estúpido ele acabará por reincidir, estupidez oblige!

Deixando os estúpidos per si de lado chegamos aos estupidamente estúpidos.
E estes, meus amigos, são de tal maneira que nem sei por onde começar...

Comecemos pelo óbvio. Não há estúpido pior do que o estupidamente estúpido!
Esta sub-espécie de Estúpido é um perigo para si mesmo e para quem o rodeia. É o tipo de estúpido que de tão estúpido que é nunca há-de perceber o quão estúpido é.
Pior do que isso, não percebe que é estúpido e ainda pensa que estúpidos são os outros.
Para ilustrar o conceito lembro-me logo do George W. Bush, aquela forma única de dizer à Rainha da Inglaterra que tem mais de duzentos anos e sorrir como se não fosse nada.
É ser-se ridículo e sorrir, por simplesmente não ter noção do ridículo.
E é esta incapacidade de ter noção do real e do ridículo que torna este tipo de estúpido uma séria ameaça para a humanidade.
São tão ou mais perigosos que um fanático, porque ao contrário dos fanáticos, nunca saberão se controlar e poderão atacar a qualquer momento, não são guiados por um ideal, por um motivo, e pior de tudo... são desprovidos de lógica. É impossível antecipar os passos de um estupidamente estúpido.

E o pior não é a imprevisibilidade dos estupidamente estúpidos. A pior das notícias é saber, que no meio de nós pode caminhar um, absolutamente incógnito. É isso mesmo que estou a dizer. Sim. No meio dos seus amigos e familiares pode estar um perigosíssimo estupidamente estúpido que até hoje ainda não deu sinais de si.
Este grau de estupidez é tão grave que as pessoas à sua volta podem só reparar nessa pessoa quando ela já for o Presidente do País, como aconteceu nos Estados Unidos.
Mas não pensem que foi só o Bush Jr, a história está cheia de exemplos. Em Roma foi preciso um incêndio que destruiu 11 dos 14 bairros da cidade, para os romanos perceberem o perigo da estupidez de Nero.
Já em Portugal, ficarmos 60 anos sobre o domínio espanhol foi o castigo que levamos para aprendermos a reconhecer um Rei estúpido, mal este pusesse um pézinho nos degraus que davam acesso ao trono. Vide o que aconteceu ao Afonso VI, e digam lá se os portugueses não aprenderam rapidamente a lição?
Mas não pensem que isto acontece só aos outros! Olhem com mais atenção quem vos rodeia. Ao mínimo sinal de estupidez não consciente, abram os olhos, tomem medidas, alertem as autoridades, não hesitem.
Não se esqueçam que se deixarem as coisas andar, quando quiserem fazer alguma coisa provavelmente será tarde de mais.
E além do mais tenho para comigo que a estupidez é muito provavelmente contagiosa, mas não vos quero assustar...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

NORTHERN WHALE



The Good, the Bad & the Queen - Northern Whale (2007)

NEWS FROM ESPAINE



Nós tinhamos um ditador garanhão, eles tinham um ditador poliglota.

LAPIDAR

We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.

Oscar Wilde

HONNI SOIT QUI MAL Y PENSE 4

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE DOIS E MEIO

Aqui não é bem a estante, é mais a parte de cima do guarda-fatos. Entre as obras em destaque podemos encontrar uma cassete de VHS com resumos de golos do Campeonato do Mundo Itália 90, uma televisão Sanyo do tempo em que ainda não se falava em polegadas e o belíssimo e carismático Coelho Péricles.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SE HOUVESSE DEGRAUS NA TERRA...



Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.


* *

Herberto Helder

PROMESSA

Prometo que a partir de hoje este blogue será mais regular, com entradas de texto diárias e adianto também que vou deixar-me dessa preguiça de só postar fotos, poemas, vídeos, músicas - em suma, vou parar de aproveitar-me do trabalho dos outros.

SABEDORIA


Alphonse Mucha - A Idade da Sabedoria (1938)

SEEBALD

Já aqui falei numa outra encarnação de um dos meus autores de eleição: W.G. Seebald (não vos revelo o significado das iniciais que é para isso que serve a wikipedia).
Agora volto a este autor que o mundo injustamente desconhece o quão grande é, porque encontrei aqui e aqui dois belíssimos posts num blogue que é um achado e que vos convido a visitar.

DREAMING



All people dream, but not equally.
Those who dream by night in the dusty recesses of Their mind,
Wake in the morning to find that it was vanity.

But the dreamers of the day are dangerous people,
For they dream in their dreams with open eyes,
And make them come true.


* *


D.H. Lawrence

terça-feira, 31 de março de 2009

A BAÍA E O VESÚVIO


Nápoles, Agosto de 2004

segunda-feira, 30 de março de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE TWO


Aqui chegamos ao que aparenta ser a zona da Poesia. Mas não se iludam, que não há organização alguma.

POUCA TERRA, POUCA TERRA

Quem leu o público hoje pode confirmar num pequeno mapa o quanto a Refer tem cortado na rede ferroviária nacional desde os anos 90.
Olha para o Minho e vê que já encerraram umas linhas. Espreita o Alto Minho e lá está mais uma linha que já foi devidamente encerrada.

Vamos descendo os olhos pelo mapa e vemos que os cortes acontecem sobretudo no Norte profundo e no Alentejo igualmente profundo. Será a toa que são as duas regiões mais pobres do país?
Mas se olharmos para o centro do país deparamos com o caso de Viseu que é uma verdadeira vergonha... Sabiam que estamos a falar da maior cidade da Europa Ocidental sem acesso ferroviário?
Mas à Beira Alta não lhe tiraram só o acesso a Viseu, fecharam a linha do Vouga e a ligação entre a Covilhã e a Guarda, não vão os beirões começarem a andar por aí de comboio, digo eu.

Continuando a olhar o mapa, nota-se que o Algarve também não escapa aos cortes. Ali bem pertinho de Espanha a Refer também resolveu poupar uns trocos.
E o Alentejo? Será que ao menos nos comboios não há desertificação? Não sejamos crentes, é óbvio que há e não é pouca. E já agora experimentem chegar de comboio a Évora e depois vejam o que o vosso traseiro tem a dizer sobre a viagem...

Passemos para a Beira Litoral onde existem cidades cheias de gente como Coimbra, Aveiro, Figueira da Foz. Será que aqui também chegou a tesoura ou alicate, ou lá que coisa estes senhores usam para desactivarem as linhas?
Sim, Coimbra levou um cortezinho, da Figueira é melhor não falar e ai de que alguém em Aveiro que queira falar da linha do Vouga que a ligava a Viseu.

Bem... já que a terceira cidade do país sofreu cortes vamos avançar para o Porto, porque com a gente do Norte é que eles não se metem...
Mas tu queres ver que também fecharam linhas no Grande Porto?
Oooops, pelos vistos sim. E é que nem foi uma, nem duas, mas sim três.
Em verdade deve se dizer que uma das linhas passou a Metro (como aconteceu também em Mirandela e irá acontecer em Coimbra), mas isso lá é desculpa se desactivarem linhas atrás de linhas?

Resta-nos espreitar Lisboa, deixa cá ver o mapa...
Mas... Não me digam que não cortaram nada? O meu mapa deve estar errado porque aqui parece-me que na Grande Lisboa nem um metro de linha foi desactivado.

Isto não faz sentido, se Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, há melhor maneira de atravessar essa mesma paisagem do que num lento e fumegante pouca-terra pouca-terra?


P.S.- Omiti deliberadamente Trás-os-Montes e Alto Douro, porque este texto pretende brincar um pouco com a situação, mas os cidadãos dessa região do país que pagam os mesmos impostos que eu e tu, além de não terem auto-estradas e de lhes andarem a tirar hospitais, ainda levam com o maior número de cortes nas linhas ferróviarias do país, e como tal não devem achar muita piada ao meu sentido de humor.

HAVALINA



Pixies - Havalina

domingo, 29 de março de 2009

VIAGEM PELA MINHA ESTANTE - TAKE ONE


Entre os artefactos que "abonecam" a estante como disse a mulher-a-dias está um mini vaso minóico num belíssimo pvc made in China - que eu cá não quero imitações de países sem tradição na arte da falsificação de souvernires - e ainda uma imitação de um arco romano também ele em pvc oriental que me trouxeram da Cróacia.

NÃO POSSO ADIAR O AMOR PARA OUTRO SÉCULO



Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


* *


António Ramos Rosa

SANTA APOLLONIA




Beirut- Santa Apollonia

LAPIDAR

"O medo das coisas invisíveis é a semente natural daquilo a que todos nós, no nosso íntimo, chamamos religião."

Thomas Hobbes

sábado, 28 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

O MEU DOMINGO PREFERIDO



Un dimanche après-midi à l'Ile de la Grande Jatte
Georges Seurat

A ESTRADA


Vou começar a ler e depois digo coisas.

LA COMÉDIE (TO THE END)



Blur & Françoise Hardy - La Comédie (To the End)


Tous ces bals masqués (Si peu d'amour)
Du mauvais cinéma (Et tant de haine)
We've been drinking far too much (Si peu d'amour)
And neither of us mean what we say (Et tant de haine)

La comédie du grand amour
Vous ne me ferez paz l'injure de la jouer jusqu'au bout
De me la jouer jusqu'au bout

Pourquoi tant de haine (Si peu d'amour)
C'est un accident de voir (Et tant de haine)
Infatuated only with ourselves (Si peu d'amour)
And neither of us can think straight anymore (Et tant de haine)

You and I collapsed in love
And it looks like we might have made it
Yes it looks like we've made it to the end

La comédie du grand amour
Je ne vous ferai pas l'honneur de la jouer jusqu'au bout
De vous la jouer jusqu'au bout
Si peu d'amour

HONNI SOIT QUI MAL Y PENSE 3

quinta-feira, 26 de março de 2009

HYSTERIA



As she laughed I was aware of becoming involved
in her laughter and being part of it, until her
teeth were only accidental stars with a talent
for squad-drill. I was drawn in by short gasps,
inhaled at each momentary recovery, lost finally
in the dark caverns of her throat, bruised by
the ripple of unseen muscles. An elderly waiter
with trembling hands was hurriedly spreading
a pink and white checked cloth over the rusty
green iron table, saying: "If the lady and
gentleman wish to take their tea in the garden,
if the lady and gentleman wish to take their
tea in the garden ..." I decided that if the
shaking of her breasts could be stopped, some of
the fragments of the afternoon might be collected,
and I concentrated my attention with careful
subtlety to this end.

* *

T.S.Eliot

AQUI QUE NINGUÉM ME LÊ

Diz que as pessoas andam viciadas no twitter. Diz que preguiçosos como eu estão tramados que já nem publicam nada no blog. Diz que este post fica por aqui porque tenho que retwittar uma cena.

TELHADOS DE PARIS


Traseiras do Museu Picasso, Paris, Maio 2005

OS NOSSOS DIAS

terça-feira, 24 de março de 2009

UMA NOTA AUTOBIOGRÁFICA

Nasci em 1976, comecei a aprender a escrever em 1982, entrei na faculdade em 1994.
Cresci em Lisboa perto de uma amoreira que dava - a mim e a quem mais quisesse - amoras que recordo agora como demasiado doces.
Lembro-me de encher os bolsos com essas amoras peganhentas, da mesma forma que me lembro de entrar em casa de um vizinho que tinha uma foto de Marx alinhada com o crucifixo na parede ao fundo da sala.
Mudei-me para o Porto meses depois de Deus marcar um golo através da mão de Maradona. Nunca mais comi amoras directamente de uma amoreira, nunca mais vi Marx e Cristo na mesma sala.

MÃE

Albrecht Dürer- Retrato da Mãe (1514)

STRAWBERRY FIELDS FOREVER



The Beatles - Strawberry Fields (1967)

FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá-Carneiro
* *

segunda-feira, 23 de março de 2009

THE KIDS ARE ALRIGHT



The Who - The kids are alright

sexta-feira, 20 de março de 2009

CONVERSA DE SEXTA-FEIRA

George Bernard Shaw - Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para a primeira apresentação da minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver.

William Churchill- Agradeço ao ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O SONO


Gustave Courbet - O Sono

P.S.- Espero que esta imagem também seja um sucesso em Braga.

SLO FUZZ



Sol Seppy - Slo Fuzz

GERI'S GAME



Geri's Game, 1997 (EUA)

GERÊS


Aldeia de São Miguel, Gerês

FLORES DO MAL

XXIV

Je t'adore à l'égal de la voûte nocturne,
O vase de tristesse, ô grande taciturne,
Et t'aime d'autant plus, belle, que tu me fuis,
Et que tu me parais, ornement de mes nuits,
Plus ironiquement accumuler les lieues
Qui séparent mes bras des immensités bleues.

Je m'avance à l'attaque, et je grimpe aux assauts,
Comme après un cadavre un choeur de vermisseaux,
Et je chéris, ô bête implacable et cruelle!
Jusqu'à cette froideur par où tu m'es plus belle!


* *

Charles Baudelaire

sábado, 14 de março de 2009

LAPIDAR

"Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído."

Marguerite Duras

O MEU MOINHO PREFERIDO



Le Moulin de la Galette
Pierre-Auguste Renoir

terça-feira, 10 de março de 2009

CONVERSA NUM BANCO DE ESTAÇÃO

-O que veio fazer a Ovar?- Perguntou a rapariga, naquele jeito tão próprio de quem sabe que não vai obter resposta satisfatória.
-Vim ver o mundo. - Respondeu prontamente o senhor.
-A Ovar? Está a brincar comigo...
-Não. Estou a falar muito a sério. Eu não brinco com temas sérios. Que apodreça a minha mão e caía agora aqui no chão, se não estou a falar verdade.
-Ai! Cruz credo! Não diga isso nem a brincar. - E bateu três vezes na madeira em tempos pintada de verde do banco onde sentava o rabo.
-Já lhe disse que vim a Ovar ver o mundo.
-É verdade que Ovar faz parte do mundo. - Sorriu a miúda e mastigou afincadamente a pastilha elástica, como justificando a sua triste piada.
-Há quem diga que sim... - sorriu o homem enquanto procurava algo no bolso interior do casaco sem olhar.

Após um não breve momento de silêncio a miúda rebentou mais um balão da sua pastilha e perguntou com aqueles lábios rosáceos:
- Gostou do que viu?
- Continuo a gostar... - Acendeu o cigarro e desta vez não sorriu.
- Então porque vai embora?
- Quem te disse a ti que vou-me embora? - Soltando uma inquisitória baforada de fumo.
- Ninguém, ninguém, eu é que... - Mastigou apressadamente a pastilha, como se a goma fosse a culpada da estupidez da pergunta.
- Não precisas ficar nervosa.- Levantou-se e começou a caminhar para a sombra, a caminhar para sul.
- E não estou, quem lhe disse que estou? - Respondeu ela dois minutos depois.

Descruzou as pernas e juntou os dois tornozelos bem juntos, rebentou mais um balão tal qual um ponto de exclamação muito mal pontuado.... e ficou calada a ver o homem caminhar até desaparecer na linha do horizonte.

TÃO LAME, TÃO CORNY QUE AS VEZES EU SOU

Tenho dias assim, em que fico a ouvir música como se fosse uma miúda de 13 anos.
Foi isso mesmo que leram, não escrevi miúdo de 13 anos, escrevi miúda de 13 anos, que é para verem o quão lame, o quão corny consigo ser.

POLVOS EM SANTORINI



Oktapodi, 2007 (França)

sexta-feira, 6 de março de 2009

TRY A LITTLE TENDERNESS




Otis Redding - Try a little tenderness

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ÓSCARES PARA OS MENINOS

Agora que se aproxima o dia em que o mundo vai olhar com atenção para a passadeira vermelha que dá acesso ao Kodak Theater, "As viagens" resolveram inventar uns Óscares.
Durante os próximos dias vou nomear os meus candidatos a vencer a estatueta dourada.
Sem perder mais tempo e indo directo ao que nos trouxe aqui, comecemos então pela primeira categoria.

E os nomeados para o Óscar de melhor actor da actualidade são:






OS NOSSOS DIAS

GO AND CATCH A FALLING STAR

Go and catch a falling star,
Get with child a mandrake root,
Tell me where all past years are,
Or who cleft the devil's foot,
Teach me to hear mermaids singing,
Or to keep off envy's stinging,
And find
What wind
Serves to advance an honest mind.

If thou be'st born to strange sights,
Things invisible to see,
Ride ten thousand days and nights,
Till age snow white hairs on thee,
Thou, when thou return'st, wilt tell me,
All strange wonders that befell thee,
And swear,
No where
Lives a woman true, and fair.

If thou find'st one, let me know,
Such a pilgrimage were sweet;
Yet do not, I would not go,
Though at next door we might meet;
Though she were true, when you met her,
And last, till you write your letter,
Yet she
Will be
False, ere I come, to two, or three.

John Donne

* *

SECTIONATE CITY



Andrew Bird - Sectionate City

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

NOVO MUNDO



Novo Mundo, 2001 (Portugal)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

SUPER-HOMENS


O norueguês Roald Amundsen foi o primeiro homem a chegar ao Pólo Sul no dia 14.12.1911, batendo por 35 dias o inglês Robert F. Scott, numa das corridas épicas da história da humanidade.

OS NOSSOS DIAS

LAPIDAR

Eu sinto a nostalgia da imoralidade.

Machado de Assis

OS NOSSOS DIAS


INSÓNIAS

As insónias são tramadas...
Hoje fizeram lembrar-me doutros tempos... eis a banda sonora da doce melancolia.




Radiohead - Fake Plastic Trees (1995)

Her Green plastic watering can
For her fake chinese rubber plant
In fake plastic earth.
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans.
Just to get rid of itself.
And It Wears Her Out, it wears her out
It wears her out, it wears her out.

She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns.
He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins.
And It Wears Him Out, it wears him out
It wears him out, it wears him out.

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My Fake Plastic Love.
But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run
And It Wears Me Out, it wears me out
It wears me out, it wears me out.

And if I could BE who you wanted
If I could BE who you wanted,
All the time, all the time, ohhh... ohh...

FACTOS

"Let’s do facts. Here are the facts. Your friend here fucks you, right? Your friend’s friend knows he fucks you, so he comes to your friend. And he tells your friend a story, which your friend repeats to you because he’s fucking you. You are rightly incensed by this story, so you bring your friend who is fucking you to me, so that he can tell it all over again, which is what your friend’s friend reckoned would happen all along. We call that disinformation."

John Le Carré in The Mission Song

FAKE EMPIRE



The National - Fake Empire (2oo7)

O SABOR DO RIO

Rio Sabor, Agosto 2005

O QUE HÁ EM MIM É SOBRETUDO CANSAÇO

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

DA MINHA PREGUIÇA

Esta gazeta há-de terminar em breve. Promessa do autor.

Para já ficam umas músicas, uns poemas e umas fotos, que não quero que vos falte nada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

SCOLARI E SALAZAR

Tenho para comigo que estes dois iam gostar de se conhecer. O sargentão deve simpatizar com ditadores de Santa Comba Dão, e o Professor António devia gostar de sargentos que gostam de ver uma bandeira com as quinas em cada janela deste jardim à beira-mar plantado.

E pergunta um dos quatro leitores diários (segundo a minha versão do INE) do meu blog:

"Mas porque vem este agora falar de Scolari e Salazar, se isso já aconteceu ontem?"

Se é para estarem aí com essa má vontade, vou mas é passear, que hoje está sol e não escrevo mais nada.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

É SEGUNDA-FEIRA NÃO TENHO MUITO PARA DIZER

Continuo a sentir-me un petit peu endrominado por ter comprado a "Faca não corta o fogo" a pensar que tinha um dos 3000 históricos exemplares e que se calhar até ia conhecer umas gajas (das que são giras e intelectuais ao mesmo tempo) à custa disso.

Mas apesar desses pensamentos (continua a sonhar rapaz!) e do sentimento de endrominação sofrida, a verdade é que não resisti e comprei hoje o "Ofício Cantante".
Endrominações à parte, achei que os 33 anos merecem que eu dê uma prenda como deve ser a minha ilustre pessoa.

PANIC



The Smiths - Panic

sábado, 7 de fevereiro de 2009

PINÓQUIO


Santorini, Grécia, Agosto de 2008

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

* *

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MALI




Em 2002 Damon Albarn foi para Bamako e juntou-se a Toumani Diabate, Afel Bocoum entre outros para gravar este maravilhoso "Mali".

MALHAÇÃO

E no centro? Não há quem malhe no centro?

É TUDO UMA QUESTÃO DE BARBA

Hoje é que me apercebi que Darwin é para os criacionistas, o que Deus é para mim: um individuo com uma bela barba.

RABISCOS FAMOSOS


"Os pecadores atravessam o fogo"
ilustração de Gustave Doré para a Divina Comédia (1865)

I COULD BE RRRONGG

Esta música sempre me fez pensar que o David Byrne tinha resolvido cantar com sotaque britânico. É uma das minhas pancas, mas não tão má como confundir o David Byrne com o Bryan Ferry, como ainda agora voltou a acontecer...



Dê por onde der o Johnny Rotten será sempre um Sex Pistol; os Talking Heads uma grande banda e esta música uma boa memória.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O HOMEM A OLHAR O RATO OU O RATO A OLHAR O HOMEM


Este é o meu detalhe preferido do Jardim das Delicias de Hieronymus Bosch. E o vosso? Qual é?

YAY!!!! OU FINALMENTE ANDO A LER


Chegou a fumegar de Inglaterra... bendita amazon.com

A RAINHA DA BARBEARIA

Pensei que já tinha visto muito, mas confesso que nunca tinha visto uma mulher a cortar o cabelo no barbeiro. Foi uma experiência sui generis. Uma mulher, uma só mulher calou a prosápia masculina e reinou como só uma Senhora sabe reinar.
Nem um ai, nem um ui. O Benfica foi Rei e Senhor da barbearia, para mal dos meus verdes pecados e de uma plateia que chegou a ser envergonhadamente azul-e-branca.
Só quem nunca cortou o cabelo numa barbearia da baixa do Porto é que não pode entender o quão histórico é um "Viva ao Benfica!" não sofrer contestação.
E o mais giro naquela história toda, é que ela percebia. Do malfadado losango do Paulo Bento à insistência de Jesualdo apostar em Mariano González, passando pelo Quique que ela defendia com unhas e dentes, a mulher sabia do que estava a falar.
Falava de tal forma que deu uma explicação cabal de overlapping a uma assistência para quem o conceito de fora de jogo em linha já é algo de muito elaborado.

Espero que da próxima vez que for lá cortar o cabelo, ou fazer a barba, ela esteja presente para eu poder tirar umas notas para utilizar no Football Manager, e quiçá para ouvir uma explicação do que é um movimento de basculação, capaz de fazer corar muito comentador televisivo que eu infelizmente conheço.

SUNSET


South Beach, Novembro 2006

UM RIO DE LUZES

Um rio de escondidas luzes
atravessa a invenção da voz:
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca

No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta

Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido.

Ana Hatherly

* *

DO EASY



"The Discipline of DE" (1982) de Gus Van Sant foi uma curta que o autor de "Elephant" realizou a partir do ensaio "Do Easy" de William Burroughs.

Leia mais aqui

LAPIDAR

"A palavra é a metade de quem a pronuncia, metade de quem escuta".

Michel de Montaigne

APONTAR À TORRE

Paris, Maio de 2005

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

NE LE MAN VOSTRE; GENTIL DONNA MIA



Ne le man vostre, gentil donna mia,
raccomando lo spirito che more:
e' se ne va sì dolente, ch'Amore
lo mira con pietà, che 'l manda via.
Voi lo legaste alla sua signoria,
sì che non ebbe poi alcun valore
di poter lui chiamar se non; "Signore,
qualunque vuoi di me, quel vo' che sia".
Io so che a voi ogni torto dispiace;
però la morte, che non ho servita,
molto più m'entra ne lo core amara
.Gentil mia donna, mentre ho de la vita,
per tal ch'io mora consolato in pace,
vi piaccia agli occhi mei non esser cara.

Dante Alighieri

* *

E COMO VIVIAM AS MULHERES NA GRÉCIA ANTIGA?


"Para o prazer temos as cortesãs; para a saúde do corpo, as concubinas; e temos as mulheres para nos darem filhos legítimos e serem guardas fiéis das nossas casas."

Demóstenes


Nos tempos de Homero, fazendo jus à Ilíada, a mulher ou se comprava ou se raptava. Casar por amor? Sim, claro, mas infelizmente ainda não tinha sido inventada a belíssima localidade de Hollywood, portanto casemos por interesse, e com valioso dote, pois o amor naqueles tempos não era ainda chamado para as núpcias.

Custa a crer, é verdade, mas fazendo fé na saga homérica a Grécia inteira deixou-se arrastar numa guerra interminável, só porque Paris roubou Helena ao seu legítimo esposo, o Rei Menelau de Esparta.
Por uma mulher o mundo inteiro entrou em guerra, Reinos inteiros foram votados ao abandono pelos seus reis e homens, os Deuses conspiraram e heróis lutaram e outros pereceram apenas por causa de uma mulher.

Em sua defesa devemos dizer que Helena era considera a mulher mais bela do mundo e que por ela uniu-se a Grécia inteira, coisa que não aconteceria nem aquando da ameaça persa durante as Guerras Médias, muitos anos depois da história de Tróia.

Seja como for, Helena é sinónimo de beleza e de perdição. A ela está associada a lenda do Pomo da discórdia e ainda uma guerra lendária que nos deu a Ilíada, a Odisseia, e ainda por paredes travessas a Eneida.

Mas olhando a mulher grega, saltemos para a época de Péricles e da Democracia Ateniense, onde perdido o interesse pelo dote e pelas guerras causadas por uma mulher, tornou-se o matrimónio uma solução aprazível e obrigatória por lei.

Dentro deste matrimónio, nunca é demais lembrar que os direitos não eram propriamente iguais, convém não esquecer, que ainda vinha longe a subtileza legislativa romana que viria a permitir conceitos elaborados como o da fragilidade feminina (fragilitas).

O direito grego não fez história, mas não se pense que não existiam leis, que as havia.
Eram essas mesmas leis que consagravam o direito ao homem de ter uma concubina mas puniam com a morte a mulher adúltera.
Eram também as mesmas leis que diziam que a mulher podia requerer o divórcio, mas apenas o homem o podia conceder. Já por seu lado, a lei era clara quando explicitava que ao homem bastava apenas a vontade, estando isento do consentimento da mulher para obter um rápido divórcio.

Ao contrário de Atenas em Esparta nem sequer existia o problema do adultério, pois os homens podiam permutar de comum acordo as mulheres entre si. Enquanto os homens mais velhos para terem filhos saudáveis e úteis, concediam as suas esposas a estrangeiros e jovens, mesmo que estes não gozassem dos direitos de cidadania.

Era ideia corrente no tempo, que enamorar-se por uma mulher significava loucura, enquanto o amor entre homens era sinal de sabedoria, o que revela bem o triste papel a que se via confinada a mulher nesses distantes tempos.

VERTIGO

Berlim, Agosto 2007

O VERDADEIRO SUPER-HOMEM


Ludwig Van Beethoven - Piano Concerto No. 5 in E-flat major, op.73

BIG TRAIN

Alguns dos meus sketches preferidos.


A Masturbação no trabalho

Campeonato Mundial do jogo do sério

Antiguidades

A classe operária

Um amor francês

Esta ilha deve ter um fermento de genialidade humorística. Só Pode...

LAPIDAR

"Só se ama o que não se possui completamente."

Marcel Proust

UM POUCO DA DINAMARCA



Gedser, Julho de 2007

MANSARD ROOF



Vampire Weekend - Mansard Roof

UMA LIÇÃO DE DESENHO

MACACOS ME MORDAM

Li no Expresso que depois dos telemóveis, são agora os dentes os protagonistas do ensino em Portugal.

UM QUE ME ENTENDE!

«Mike McCready, guitarrista dos Pearl Jam, apelou recentemente aos decisores políticos americanos para melhorarem as condições de vida em sociedade dos cidadãos diagnosticados com a doença de Crohn.

O músico sofre do complicado distúrbio gastrointestinal e diz que fazem falta mais casas de banho disponíveis nos locais públicos e empresas.

"Imaginem a pior diarreia que alguma vez tiveram, vezes 10 e com 'facadas' à mistura. Têm menos de um segundo para encontrar a casa de banho mais próxima", reivindicou junto da comissão legislativa de Washington.

Segundo o diário The Seattle Times, a proposta apresentada por McCready pede que todas as lojas e empresas tenham casas de banho disponíveis para qualquer pessoa que apresente um documento que ateste a doença.

McCready utilizou a sua experiência de doente para ilustrar a urgência de novas medidas nesta matéria.»

In BLITZ, Ler mais aqui

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DO CANCIONEIRO GERAL



CÃTYGUA SUA PARTINDOSSE

Senhora partem tã tristes
meus olhos por vos meu ben
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguem.

Tam tristes tam saudosos
tam doentes da partyda
tam canssados tã chorosos
da morte mays desejosos
çem myl vezes que da vida.
partem tam tristes os tristes
tam fora de desperar bem
que nunca tam trystes vistes
outros nenhuns por ninguem.

*

CANTIGA, PARTINDO-SE

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos, por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Joam Rroiz de Castellbranco
(João Roiz de Castelo Branco)

* *


MÃO


Pierre Puvis de Chavannes, 1862.

ZZZZZZZ


Fonte de Trevi, Roma, 2004

domingo, 1 de fevereiro de 2009

TARDE E MÁS HORAS

Chegar a casa e apenas ouvir....



Jesus and the Mary Chain - Just Like Honey