quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
LAPIDAR
(W. G. Sebald, The Rings of Saturn)
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A GRANDEZA DO BENFICA E A TRISTEZA DO JEAN SONY
sábado, 23 de janeiro de 2010
FUI VER O AVATAR...
sábado, 16 de janeiro de 2010
O IMPÉRIO CONTRA ATACA
Continuarei a escrever como aprendi porque já será tarde para reaprender a escrever - dizem que burro velho não aprende...
Não sou contra a ideia de simplificação que está inerente no acordo, mas tenho em muito boa conta a etimologia da minha língua, para deixar cair uns "cês", "pês" ou "agás" mudos que sempre dão um ar catita à mesma.
Irei continuar a pronunciar o 'c' em pacto, em facto, tal como irei continuar a dizer rapto.
E um pato, um fato e um rato irão continuar a ser para mim o que sempre foram.
Mas eu sou um gajo que não percebe nada da língua que usa e menos ainda de linguística. Sou um leigo, daqueles bem leigos, whatever that means...
Sinto que ressalvando os conhecedores da língua, donde se destaca logo à partida Vasco Graça Moura, a maioria dos opositores do acordo (e basta ir ao facebook para ver que não são assim tão poucos) é contra apenas e tão só por nacionalismo bacoco.
Há um principio de superioridade portuguesa sobre todos os outros falantes da língua que me repugna (e não escrevi repugna-me, exactamente para irritar suas senhorias).
A língua não é um património nosso. Não fomos nós que a inventamos, foram os nossos antepassados que também são em larga maioria os antepassados dos brasileiros.
Não gosto da ideia da minha língua ser um campo de lide de xenofobias idiotas e gosto ainda menos da ideia de um neo-colonialismo línguistico.
Salazar está morto e enterrado (Getúlio Vargas também), Fernando Pessoa que sempre se recusou a escrever Farmácia sem o seu tão amado Ph continua a dizer tanto a nós como diz a um Goense ou a um Cabo Verdiano, e tem no Brasil o país do mundo com o maior número de pessoanos.
Olhemos para esta situação com outros olhos: conhecem alguma ex-metrópole imperial que adapte a sua ortografia à ortografia de uma ex-colónia do Império? Os ingleses jamais e o Brasil deles é bem maior que o nosso; os Espanhóis até se sentem mal com sotaques dentro da Península quanto mais cederem algo aos argentinos e mexicanos. Quanto aos franceses suponho que preferiam deitar a Torre Eiffel abaixo antes de mudarem um acento que seja na sua língua por causa do Senegal.
Seremos nós os primeiros e por certo não os últimos, o Império algum dia iria morder-nos a mão, estava na cara...
Resta-nos a consolação de que não é para qualquer um e de que é preciso tê-los bem no sítio, para assumir assim perante o mundo, que não somos os maiores dentro da comunidade que fala a nossa língua.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
QUE NÃO SE MUDA JÁ COMO SOÍA
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
* *
Luís Vaz de Camões
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
PORTRAIT D'UNE FEMME
Your mind and you are our Sargasso Sea,
London has swept about you this score years
And bright ships left you this or that in fee:
Ideas, old gossip, oddments of all things,
Strange spars of knowledge and dimmed wares of price.
Great minds have sought you--lacking someone else.
You have been second always. Tragical?
No. You preferred it to the usual thing:
One dull man, dulling and uxorious,
One average mind--with one thought less, each year.
Oh, you are patient, I have seen you sit
Hours, where something might have floated up.
And now you pay one. Yes, you richly pay.
You are a person of some interest, one comes to you
And takes strange gain away:
Trophies fished up; some curious suggestion;
Fact that leads nowhere; and a tale for two,
Pregnant with mandrakes, or with something else
That might prove useful and yet never proves,
That never fits a corner or shows use,
Or finds its hour upon the loom of days:
The tarnished, gaudy, wonderful old work;
Idols and ambergris and rare inlays,
These are your riches, your great store; and yet
For all this sea-hoard of deciduous things,
Strange woods half sodden, and new brighter stuff:
In the slow float of differing light and deep,
No! there is nothing! In the whole and all,
Nothing that's quite your own.
Yet this is you.
domingo, 10 de janeiro de 2010
QUANDO UMA VERSÃO É BRILHANTE
Johnny Cash & Fionna Apple - Bridge Over Troubled Waters
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
ÁGORA
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Fui ver o Ágora por um conjunto de razões tão diferentes como ter gostado de todos os filmes do Amenabár até hoje, ser um sucker por filmes históricos, achar a Rachel Weisz uma boa ilustração para o adjectivo maravilhosa (dos pés à cabeça e vice-versa) ou ter lido o Rui Tavares a falar bem do filme.
O filme prometia e decididamente não cumpriu. Salva-se a Rachel (obviamente!), os cenário (mas quem é que se lembrou de encimar a fachada da Biblioteca de Alexandria com bandeiras quadradas?) e pouco mais.
Resta-nos um raro mas interessante olhar sobre o fanatismo do proto-cristianismo e a ascensão do mesmo a Religião oficial do Império, contudo não vejo ali um filme anti-cristão - as pedradas dos judeus e as facadas dos pagãos são esclarecedoras - como muitos advogam.
Vejo sim um filme anti-religioso que nos mostra cristãos que - duvido que inocentemente - lembram os muçulmanos dos nossos dias.
Aparte estes pormenores todos o filme é fraco, algumas representações são paupérrimas o argumento é risível - Hipátia dava pano para mangas e foi muito mal aproveitada e para acabar a festa não era necessário falarem de bananas no Império Romano ou atirar tomates às divindades pagãs! Saber um pouco de história não faz mal a quem filma um filme histórico.
P.S.- Eu posso não saber grego mas sei que História não se escreve ΗΙΣΤΟΠΙΑ.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
UMA TRISTEZA DE CREPÚSCULO...
(Bernardo Soares, in Livro do Desassossego)
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
MONSTROS CRETINOS E SUPER ASSUSTADORES (OU ALGO ASSIM)
David Bowie - Scary Monsters (And Super Creeps) (1980)
LAPIDAR
"Poetry's unnat'ral; no man ever talked poetry 'cept a beadle on Boxin'-Day, or Warren's blackin', or Rowland's oil, or some of them low fellows; never you let yourself down to talk poetry, my boy."
Charles Dickens in Pickwick Pappers
CÂNTIGO NEGRO
O posderoso poema do grande poeta vilacondense na voz inconfundível de Villaret.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
MANIAS!
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.
Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.
Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,
Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!
* *
Cesário Verde
DEZ ANOS, DEZ ÁLBUNS
De fora ficam álbuns que podiam muito bem estar entre os "vencedores" como o Amnesiac (Radiohead), Ágætis byrjun (Sigur Rós), Lightbulbs (Fujiya & Miyagi), Yankee Hotel Foxtrot (Wilko), Armchair Apocrypha (Andrew Bird), Yoshimi Battles the Pink Robots (The Flaming Lips), Think Tank (Blur), Sound Silver (LCD SoundSystem), Give Up (The Postal Service), mas ficam com a menção honrosa e não digam que não vão daqui!
Sem mais delongas apresento-vos a crème da la crème dos 10 anos que agora findaram:
2001 - The Strokes - Is This It
2002 - Interpol -Turn On The Bright Lights
2003 - Sigur Rós - ( )
2004 - Arcade Fire - Funeral
2005 - The Black Keys - Thickfreakness
2006 - Artic Monkeys - Whatever People Say I Am, Thats What I'm Not
2007 - The National - Boxer
2008 - Vampire Weekend - Vampire Weekend
2009 - Animal Collective - Merriweather Post Pavilion
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
AND THE SPIDERMAN IS ALWAYS HUNGRY...
"Come into my parlour", said the spider to the fly... "I have something... "
The Cure - Lullaby (1989)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
2009 DIZ ADEUS
Se não leram, ouviram e viram, aproveitem e tornem 2010 um ano melhor.
3 Livros:
Ofício Cantante - Herberto Helder
Caderno Afegão - Alexandra Lucas Coelho
2666 - Roberto Bolaño
3 álbuns:
Merryweather Post Pavilion - Animal Collective
Nobel Beast - Andrew Bird
Keep It Hid - Dan Auerbach
3 filmes:
Gran Torino, de Clint Eastwood
Milk, de Gus Van Sant
A Turma (Entres les Murs), de Laurent Cantet
BUT I NEVER ARGUE A PROVEN REVIEW
Never read Proust\ Seems a little too long\ Never used the hammer\ Without somehow using it wrong
Yo La Tengo - Periodically double or triple (2009)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
ENGATE HOMÉRICO
- Penélope.
-Penélope? Que giro... Que pena não chamar-me Ulisses.
- Já agora querias que eu estivesse aqui a noite toda a enrolar novelos enquanto não aparecias?
sábado, 26 de dezembro de 2009
DO TEMPO EM QUE O BATÔ FECHAVA COMO DEVIA SER
Belle & Sebastian - The Boy With The Arab Strap (1998)
NOS SEMÁFOROS DA RUA DE SANTA CATARINA
permanecem verdes
todo o ano
* *
Jorge de Sousa Braga
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
FELIZ NATAL
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
POP IS POETRY
Blur - Best Days (1994)
Door bells say goodbye to the last train\ Over the river they all go again \Out into leafy nowhere hope someone's waiting out there for them\ Cabbie has his mind on a fare to the sun
He works nights but it's not much fun\ Picks up the London yo-yos
All on their own down Soho\ Take me home
LAPIDAR
"De querer ser a creer que se es, ya va la distancia de lo trágico o lo cómico".
José Ortega Y Gasset
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
IN MY BEGINNING IS MY END
In my beginning is my end. In succession
Houses rise and fall, crumble, are extended,
Are removed, destroyed, restored, or in their place
Is an open field, or a factory, or a by-pass.
Old stone to new building, old timber to new fires,
Old fires to ashes, and ashes to the earth
Which is already flesh, fur and faeces,
Bone of man and beast, cornstalk and leaf.
Houses live and die: there is a time for building
And a time for living and for generation
And a time for the wind to break the loosened pane
And to shake the wainscot where the field-mouse trots
And to shake the tattered arras woven with a silent motto.
In my beginning is my end. Now the light falls
Across the open field, leaving the deep lane
Shuttered with branches, dark in the afternoon,
Where you lean against a bank while a van passes,
And the deep lane insists on the direction
Into the village, in the electric heat
Hypnotised. In a warm haze the sultry light
Is absorbed, not refracted, by grey stone.
The dahlias sleep in the empty silence.
Wait for the early owl.
In that open field
If you do not come too close, if you do not come too close,
On a summer midnight, you can hear the music
Of the weak pipe and the little drum
And see them dancing around the bonfire
The association of man and woman
In daunsinge, signifying matrimonie—
A dignified and commodiois sacrament.
Two and two, necessarye coniunction,
Holding eche other by the hand or the arm
Whiche betokeneth concorde. Round and round the fire
Leaping through the flames, or joined in circles,
Rustically solemn or in rustic laughter
Lifting heavy feet in clumsy shoes,
Earth feet, loam feet, lifted in country mirth
Mirth of those long since under earth
Nourishing the corn. Keeping time,
Keeping the rhythm in their dancing
As in their living in the living seasons
The time of the seasons and the constellations
The time of milking and the time of harvest
The time of the coupling of man and woman
And that of beasts. Feet rising and falling.
Eating and drinking. Dung and death.
Dawn points, and another day
Prepares for heat and silence. Out at sea the dawn wind
Wrinkles and slides. I am here
Or there, or elsewhere. In my beginning.
* *
T. S. Eliot
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
HUMOR BRITÂNICO, BEM SE VÊ
GOD ONLY KNOWS
The Beach Boys - God Only Knows (1966)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
QUEM NARIZ, NARIZ... (Who knows, knows...)

Em 2oo3 Sofia Coppola mostrou a quem tinha olhos porque é que o rabo da Scarlet Johansson era uma obra prima da 7ª arte.
ABRO OS OLHOS
abro os olhos e desperto o dia. crio
a explosão do sol cheio sobre
mim. arranco-me à terra que
na noite me lançou raízes
e sacudo-me.
separo os braços, abro
o vento com as unhas. imagino
um voo firme. cumpro o
corpo e outras grandes
mentiras
* *
valter hugo mãe
LUSOBRASILEIRICES - MATRAQUILHOS VERSUS PIMBOLIM
Maitê Proença mostra que afinal as anedotas sobre loiras até fazem sentido e cospe nos Jerónimos, os portugueses ficam piores que perus maus e Aqui D'El Rey que a pátria corre perigo e toca a falar que os brasileiros são isto e os brasileiros são aquilo...
Alto e pára o baile! Então quando o humor é a humilhar os norte-americanos ou o Cazaquistão a coisa até tem piada, mas quando a piada é Portugal já não é assim uma coisa com tanta graça?
Então a terrinha não pode ser gozada, mesmo quando mal gozada? E a burra é a Maitê Proença?
Quem me dera que a Maitê Proença queira ir tomar um café comigo quando vier cá à terrinha, e quem me dera que a gente ganhe 3-1 ao Brasil no mundial com golos de Deco, Liedson e Pepe e já agora que o golo deles seja um autogolo do CR9 que por estes dias já é mais castelhano que o Paco Fortes.
Amigos, amigos, negócios à parte...
A verdade é que quem dera a Portugal ser um quinto do país que o Brasil é. Venha quem vier, doa a quem doer. Eles são mais de meio continente, caminham a passos largos para serem 200 milhões, organizam mundiais e olimpíadas, têm diamantes, petróleo, ouro, o maior pulmão do planeta e as maiores reservas de água doce de todo o mundo.
São a 5ª maior economia , têm um Presidente que até o Obama admira, praias fantásticas, um clima abençoado, comida boa, jogam à bola como mais ninguém e têm uma fonte inesgotável de mulheres lindas...
Resta-nos a consolação de que no fim das contas o Brasil há-de ser sempre um imenso Portugal.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
LAPIDAR
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
BARCAROLLE
Jacques Offenbach - Barcarolle (Les contes d'Hoffman)
ANDOU À RODA A TALUDA
Espero enganar-me, mas voltamos para casa mais cedo.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
CIVILIZAÇÃO
terça-feira, 3 de novembro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
AQUI EXCLAMA-SE!!!
Por estes dias - isto passa-lhes - resolveram pegar com o ponto de exclamação e ufanamente clamam contra o pobre sinal de pontuação como se este fosse a causa dos males deste mundo, ou no mínimo da blogosfera.
Duas ou três luminárias baniram os malfadados pontos de exclamação dos seus blogues - com direito a banner e tudo - e a manada foi atrás.
Autos de fé e labéus foram proclamados contra os histéricos deste mundo, e o pobre sinal na opinião dessas iluminadas cabeças prepara-se para deslizar ingloriamente para o caixote do lixo da história da língua.
Por aqui há-de continuar a mania de exclamar, a quem não pode com esse sinal: o meu adeus, obrigado pela companhia, os nossos caminhos separam-se aqui; aos outros: continuai por aqui que eu quando lembrar-me hei-de postar mais alguma coisa.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
TRUE LOVE WAITS
Radiohead - True Love Waits (2003)
And true love waits
In haunted attics
And true love wins
On lollipops and crisps
domingo, 27 de setembro de 2009
SERÁ A ASFIXIA DEMOCRÁTICA?
SUGESTÃO DOMINICAL...
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
GOOGLE MATCH
Jorge Jesus: 6.000.000
Jorge Gabriel: 14.700.000
Macaco Adriano: 112.000
É de notar que apesar de ser-se benfiquista ser uma clara vantagem no que toca à popularidade neste país - vide as capas diárias do jornal A Bola - Jesus perde para Gabriel por mais de 8.000.000 de entradas.
Não deixa de ser surpreendente que os seis milhões só consigam gerar seis mil milhões de referências no Google, enquanto o apresentador da inenarrável e inefável Praça da Alegria - que está no top 5 dos programas mais pruriginosos da nossa televisão há mais de uma década - rebenta com a escala de popularidade e espeta oito a JJ. Digamos que desta vez Jesus foi o Azenha da história; se bem que se nos lembrarmos que foi Gabriel a aparecer de noite a Maria, talvez seja fácil de perceber esta vitória fácil do entertainer lusitano que nem precisou de recorrer à preciosa ajuda da curvilínea Sónia.
Por último convém mencionar a decepcionante prestação de Macaco Adriano. 112.000 entradas é um número de respeito para um símio, mas houve tempos em que este gorila hiper-excitado que se encontrava alegremente detido numa jaula e rodeado de mulheres semi-nuas disputava taco-a-taco, o ranking da popularidade com o também ele pruriginoso, João Baião.
Mas esses tempos passaram e o pobre primata é agora um ilustre desconhecido, remetido para as gavetas de memórias que se consomem mais rápido que um fogo-fátuo...
Resta-lhe a consolação de nem todos se terem esquecido dele.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
COCINAR

Gosto muito de Almodóvar, gosto muito da Penélope, gosto muito de culinária e gastronomia.
E é partindo destes pressupostos que vos faço uma pergunta:
Digam-me se há quem lave pratos, descasque batatas, corte tomates e seja tão belo e resplandecente enquanto o faz, como a Penélope quando é filmada por Almodóvar?
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
LA BELLA ITALIA
COME TOGETHER
Pelos vistos vou andar armado em John, Paul, George e até Ringo. A encomenda está a chegar!
NOCTURNO
Frederic Chopin - Nocturne Op.9 No.2
Arthur Rubinstein (1965)
PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
* *
Eugénio de Andrade
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
REVOLUÇÃO 9
The Beatles - Revolution #9 (1968)
No dia dos noves (09-09-09) - que foi escolhido pela EMI e a Apple Records como sendo o "The Beatles Day" - quando pela primeira vez é lançada em formato digital toda a obra dos quatro de Liverpool, nada melhor que ouvir a música do nove que John Lennon nos legou.
Mais de 40 anos passados continua a ser incompreendida. Será um bluff? Uma obra muito à frente do seu tempo? Um sonho onírico de Lennon? Ou será tudo menos uma música?
Faites vos jeux...
LARA


Sempre acreditei que David Lean filmou os olhos de Julie Christie como Boris Pasternak imaginou o olhar de Lara.
Talvez seja um crente por acreditar nestas coisas que não existem, talvez seja um idealista que gosta da ideia de um olhar escrito pelas mãos de um homem possa ser reproduzido fielmente através dos olhos de uma mulher que foram filmados por um outro homem.
Pior do que isso, acredito piamente que o olhar de Lara não pertence a Christie, que ele só existe na película de filme, e ela nunca mais voltou a olhar assim como podem comprovar pelos vossos próprios olhos.
Seja como for, a verdade é que o azul daqueles olhos viciou para sempre a imagem que tenho dos olhos de cada Lara que fui conhecendo ao longo da vida.
É como se em todas elas - não foram assim tantas - houvesse um pouco de Pasternak.
Ok. Nesta nem eu acredito...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
LISBOA
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
* *
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
SE NUMA NOITE DE INVERNO
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
I NEVER KISS AND TELL
Stone Temple Pilots - Bing Bang Baby (1996)
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
LIBERDADE
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
* *
Fernando Pessoa
sexta-feira, 31 de julho de 2009
ATTACK, ATTACK, ATTACK: GOAL!!

Sir Robert William Robson
(18 de Feveiro de 1933 - 31 de Julho de 2009)
Nos lugares comuns que "enxameiam" o futebolês em Portugal, há a ideia de dizer que tal pessoa é um gentleman. E se houve gentleman no futebol nacional foi Bobby Robson, que espalhou fair-play e tratou com elevação todos os adversários. Venceu quatro cancros, foi campeão e ganhou a Taça em Portugal pelo FC Porto e na Holanda pelo PSV, ganhou também a FA Cup, ganhou a Taça do Rei, a Taça UEFA com o Ipswich, a Taça das Taças com o Barcelona. Levou a Inglaterra pela 2ª e última vez até hoje a uma meia-final de um campeonato do mundo - para perder nos penaltis com a selecção alemã. No mundial anterior tinha perdido nos quartos de final às mãos de Maradona e do seu golo com a mão, que Robson nunca perdoou.
Treinou entre outros Romário, Figo, Ronaldo, Kostadinov, Balakov, Gascoigne, Lineker, Shearer, Baía, Beardsley, Shilton, Paulo Sousa, Chris Waddle... além de ter lançado José Mourinho como adjunto.
Na sua longa história, foi a demissão de treinador do Sporting (quando liderava o campeonato!) a mancha do seu currículo.
Nunca antes, nunca depois, Robson foi despedido de algum clube. O Sporting entrou na história pessoal deste campeão como o seu maior injusticeiro e ele nunca compreendeu o porquê dessa injustiça.
Curiosamente, os sportinguistas sempre adoraram Robson e sempre sentiram uma enorme mágoa em vê-lo partir. Foi talvez um dos maiores erros da história leonina.
Se o arrependimento matasse...
Mas o que mata é o cancro, e Robson não venceu este quinto combate. Se uma biografia conta que um homem venceu quatro cancros terminais, não precisamos dizer mais nada sobre a força, a coragem e a capacidade de vitória desse homem.
Robson foi um campeão, um champion na melhor tradição dos cavalaria britânica, que viu a Rainha Isabel II reconhece-lo com o título de Knight Bachelor em 2002 por serviços prestados ao Futebol e ao Reino Unido.
Polido, culto, inteligente. Um treinador que aprimorou o verbo atacar. Queria sempre que as suas equipas marcassem sempre mais um golo, era assim Bobby Five'O, ( alcunha que ganhou pelo estranho hábito que as suas equipas tinham de ganhar por 5-0 ) um homem que deixou um legado, um herói que deixa-me hoje genuinamente entristecido.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
VERDE
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
* *
Luís Vaz de Camões
PAPA-OOM-MOW-MOW
The Trashmen - Surfin' Bird (1963)
terça-feira, 28 de julho de 2009
A FALA ENTRE PARÊNTESIS
quem, da confusão entre chão e carne
com seu púbis, seu discurso e chamas,
QUEM DEFENDE TEU ROSTO DESTE SUDÁRIO INFERNAL?
Teu nome é Não em cio e som farpados
sinuoso grafito gravado no muro
mudo, contra o tempo
Arfa noturno, o olho do astro na memória
Este é o meu céu: numa bandeira turva
Incendeia seus últimos signos
Te insinua às sombras (que estão nos antros
e subsistem ao gráfico parêntesis:
Flechas ferindo-se no espelho. Reflexos
Dança indefinida
* *
Max Martins
sexta-feira, 24 de julho de 2009
MÚSICAS QUE DEVIA TER VERGONHA DE UM DIA TER GOSTADO - PARTE II
Não consigo olhar pró gajo!
O álbum chamava-se "Wheels are Turnin", o ano era 1985, e aquele olhar esgazeado, aquela cabeleira farta que se mantêm em pé, miraculosamente, sem ajuda de laca, gel ou de qualquer tipo de armação metálica ou em betão, abriram caminho para a ascensão dos REO Speedwagon aos tops mundiais.
"Can't Fight this Feeling" é anos 80 até à medula (excepto alguns dos membros da banda que parecem saídos de um porno dos anos 70).
O vídeo é uma exploração ad nausea de efeitos de gosto dúbio, que não conseguem contudo apagar a fealdade dos membros da banda, e nem por sonhos, em momento algum, disfarçam o ar de "Psycho Killer choninhas" daquele vocalista.
Quero saber o que é o amor
Não é que a música não mereça ser ouvida do príncipio ao fim, mas aconselho vivamente a acelerarem o vídeo até ao minuto (1.24) em que a Musa inspiradora se baba de uma maneira descontrolada - na mais desastrosa tentativa de erotismo na história dos vídeos musicais.
O resto são os mesmos penteados, o típico sofrimento de vocalista de power ballad, imagens avulsas de Nova Iorque (um raro cosmopolitismo) e ainda um inovador toque étnico de um coro de Gospel. Um sucesso garantido!
O Enigma
Este senhor tinha tudo para ser one-hit wonder, mas a verdade é que também é responsável por esta outra pérola (Não se assustem com a respiração!).
The Riddle é um enigma em si, que mistura belos penteados (não me canso de o referir e não venham cá com história que é inveja por causa da minha calvice)com uma estética sem sentido, que mistura arcaísmos com futurismos datados, tambores e flautas com rato mickey e um Enigma que os produtores de Batman deviam por certo processar.
A chama eterna
Aí está uma músiquinha toda lamechas. Mas em abono da minha pessoa devo dizer que as miúdas eram giras.
O irmão Luís
Quando se fala dos anos 80 os Modern Talking vêm sempre à liça, e Brother Louie é um dos singles mais injustamente esquecido do duo Thomas Anders/Diete Bohlen.
Desta vez não vou destacar maravilhas capilares, prefiro falar do Óscar, ou da multidão entusiasta que vibra com a actuação dos senhores.
Convém notar também que este duo tentava contrastar sempre. Se um era loiro, o outro era moreno. Se um vestia de forma informal com jeans e sapatilhas o outro vinha de fatinho reluzente. Se um apertava a camisa até ao pescoço o outro não apertava sequer um botão. Se um tocava guitarra e orgão o outro nem pandeireta tocava.
And it can go on and on...
to be continued...
terça-feira, 30 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
LA TERRE EST BLEUE
Jamais une erreur les mots ne mentent pas
Ils ne vous donnent plus à chanter
Au tour des baisers de s'entendre
Les fous et les amours
Elle sa bouche d'alliance
Tous les secrets tous les sourires
Et quels vêtements d'indulgence
À la croire toute nue.
Les guêpes fleurissent vert
L'aube se passe autour du cou
Un collier de fenêtres
Des ailes couvrent les feuilles
Tu as toutes les joies solaires
Tout le soleil sur la terre
Sur les chemins de ta beauté.
Paul Éluard




















